segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os imóveis nas áreas nobres de Belém





Morar com tranquilidade, segurança, próximo de shoppings, ruas com boa infraestrutura, supermercados, pontos turísticos... É o que todo cidadão sonha para si e sua família. Mas os preços dos imóveis em bairros do centro da capital paraense estão muito altos. Os bairros mais procurados para morar: Umarizal, Nazaré, Batista Campos.
A Relações Públicas Viviane Viegas, 26, natural de Monte Dourado, região Norte do Pará, mora há oito anos em Belém. Ela veio para Belém para trabalhar e estudar. Desde que chegou na capital paraense mora no bairro de Nazaré. A forma que encontrou para morar em um bairro tranquilo e próximo de estabelecimentos comerciais foi morar em um espaço menor. “Aluguei um kit net, pago R$ 600,00 e moro em um local bem localizado. Certamente se eu fosse alugar um imóvel um pouco maior que o meu o preço seria duas vezes maior” afirma a Relações Públicas.
Já o Técnico em Informática Rafael Barros, tenta sair da periferia de Belém para morar no centro da cidade, mas os altos preços dos imóveis vêm conseguindo adiar o sonho de Rafael. “Atualmente moro em Icoaraci, pretendo morar em um bairro um pouco mais próximo do centro da cidade, mas os preços estão exorbitantes, assim fica um pouco complicado e está fora de minha realidade financeira”, completa Rafael.
Para uma família de classe média, comprar um imóvel na região central de Belém é tarefa praticamente impossível. Que o diga a jornalista Helaine Cavalcante, de 21 anos. Há algum tempo, ela e a família – composta por cinco pessoas – estão tentando sair do bairro do Guamá, onde vivem, para uma casa ou apartamento em outro ponto da cidade. Começaram a procurar no centro, mas logo desistiram da idéia, pois, no local, uma casa “simples”, com dois ou três quartos, como diz a jornalista, não sai por menos de R$ 200 mil. Um apartamento, então, nem se fala. Agora, Helaine busca um imóvel em áreas de expansão, como a rodovia Augusto Montenegro. “Lá, pelo menos, nós já encontramos apartamentos na faixa de R$ 100 a R$ 150 mil, muito mais dentro da nossa realidade”, explica. 


Histórias como a de Helaine são, hoje, bastante comuns. Isso se deve ao fato de as áreas centrais da cidade terem ficado, ao longo dos últimos anos, cada vez mais valorizadas. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) do Pará e Amapá, Jaci Colares, em bairros como Umarizal, Batista Campos, Nazaré e Marco o preço do metro quadrado gira entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil. A maioria dos empreendimentos localizados nesses pontos são adquiridos por investidores, tanto da cidade como de fora. “Felizmente, ainda há grandes investidores nesse país”, comemora Colares.
O fenômeno, segundo Colares, tem apresentado, no entanto, um efeito negativo para os corretores: a concorrência cresce a cada dia. Hoje, eles já são mais de cinco mil em todo o Estado. “Tem médico, advogado, engenheiro. Todo mundo quer ser corretor”, afirma, acrescentando que para o exercício profissional é preciso fazer um curso e obter o diploma junto ao Creci. 

A enorme procura por residências em áreas centrais vem contribuindo para a especulação no setor imobiliário paraense. O diretor de uma corretora de Belém, José Colares Filho acredita que a grande procura por casas ou apartamentos em bairros, ditos nobres de Belém, propicia um aumento em até 50% em relação a outras áreas da cidade. “A procura por áreas nobres é muito grande e os proprietários de imóveis aproveitam a procura para elevar os preços. Em alguns casos, apartamentos ou casas chegam a custar o dobro do que em áreas centrais. Em cidades como Fortaleza, Porto Alegre e outras cidades, tanto o aluguel quanto a venda são bem mais baratos”, explica.
Já a professora de Arquitetura e Urbanismo, Alice Rodrigues, acredita que essa valorização demasiada do centro da cidade se deve a diversos fatores. Entre eles, a farta infraestrutura encontrada nesses locais, o que inclui o acesso a serviços públicos e privados. “A maior parte dos investimentos públicos se deu na área central da capital, até, no máximo, a avenida Júlio César, que constituem a primeira légua patrimonial de Belém. A área de expansão, que vai do Entrocamento a Icoaraci, só começou a ser trabalhada a partir das décadas de 80 e 90”, comenta.
O resultado disso é uma diferença gritante em termos de qualidade de oferta do centro em relação às regiões mais periféricas. E, embora atualmente, já exista um movimento de saída da área central, ele ainda é muito lento e tímido. “As pessoas preferem morar perto da escola dos filhos, do trabalho, e onde podem ter acesso a todos os tipos de serviço”, acredita.
Para a professora, uma das soluções para o problema seria criar pontos de atração longe do centro, como grandes projetos urbanísticos que ofertem, ao mesmo tempo, qualidade e infraestrutura. “Sem dúvida, falta uma visão mais abrangente e poder de articulação, principalmente por parte do poder público, que poderia buscar parcerias junto ao próprio setor privado, um dos mais interessados nessa expansão. Hoje, o poder privado só se aproveita das melhorias feitas pelo poder público. É preciso descentralizar a cidade”, observa.

(fonte: DOL)



Nosso Pará em Foco
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domingo, 27 de março de 2011

Ver-o-Peso faz 384 anos e ainda é a cara de Belém



Hoje, o Ver-o-Peso faz aniversário de 384 anos, ainda com o título de principal cartão postal de Belém. São quase quatro séculos presente no imaginário do paraense. Mais do que a face de Belém, o complexo do Ver-o-Peso é uma mistura dos mais variados personagens do cotidiano da cidade, por meio das mais distintas relações de trabalho e sabedoria. 
Corte de cabelo, limpeza de pele, brinquedos e um palco para apresentações folclóricas, são algumas das atividades que o público terá durante a manhã deste domingo (27), na feira do Ver-o-Peso.
Várias atividades foram preparadas para comemorar os 384 anos da maior feira livre a céu aberto da América Latina.
Orientações sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), dengue e infecções também serão abordadas pelos mais de 50 voluntários que estarão no evento.
O tradicional bolo com 10 metros de comprimento, já é esperado pelo público que começa a chegar na  feira. De acordo com a programação, o corte do bolo deverá ser às 11h.
Autoridades do município devem comparecer no local.



É o pescador que chega antes do amanhecer para abastecer as feiras e supermercados da capital, o vendedor que compra o pescado para revender ali mesmo, na pedra do Ver-o- Peso ou no Mercado de Ferro; o dono da banca que fornece o peixe frito na feira, junto com o açaí que vem das ilhas e é distribuído para toda a Região Metropolitana. 




Em meio a todo esse movimento, estão as vendedoras de ervas, que fornecem  sabedoria popular, junto com banhos e perfumes para atrair sorte, casamentos, prosperidade e saúde.
É esta a economia que circula pelo Ver-o-Peso e que despertou a atenção da antropóloga Wilma Leitão, da Universidade Federal do Pará (UFPA), ‘O Ver-o-Peso é o mundo do trabalho, não somente porque funciona 24 horas por dia, durante o  ano inteiro, como também por apresentar diferentes relações de trabalho’,  frisou a pesquisadora. Ela reuniu em um livro, intitulado ‘Ver-o- Peso: Estudos antropológicos no mercado de Belém”, a produção intelectual de  diversos pesquisadores que voltaram os seus estudos para o principal cartão postal de Belém.
‘O Ver-o-Peso é um campo de estudos que sintetiza a felicidade para sociólogos e antropólogos. Nele podemos estudar os aspectos religiosos, políticos, sociais e culturais’, apontou. Apesar de ser o cartão postal que mais traduz a face de Belém a pesquisadora prefere não afirmar que todo belenense conhece o Ver-o- Peso. “O Ver-o-Peso está completamente no imaginário do belenense, mas isto não significa que todos os que morem em nossa cidade conhecem os componentes do Ver-o-Peso, que são as frutas, as ervas, os cheiros, os sabores; tudo o que define os nossos produtos regionais”.
Neste sentido, o Ver-o-Peso serve de objeto de estudo por concentrar num único universo regional produtos, costumes, formas de falar, de se cumprimentar, de negociar e se relacionar. “Tudo o que o pesquisador quiser tem ali”, brincou Wilma.
Para ela, o que difere o Ver-o- Peso das demais feiras livres que existem na América Latina não é a sua dimensão, e sim o hábito e os costumes que neleexistem. “Uma característica bem comum é a prática de se falar que os produtos vendidos no Ver-o-Peso são os de melhor qualidade”, observou.
Esta pratica fortalece a confiança entre consumidor e feirante. “O consumidor que frequenta o Ver-o-Peso é habitual. Ele vai sempre lá. Praticamente só compra no Ver-o-Peso”. No aspecto da geração de renda - uma das particularidades levantada pela antropóloga - o Ver-o-Peso apresenta uma característica bem peculiar, que é a relação entre renda e escolaridade dos feirantes. “Muitas pessoas acreditam que aqueles trabalhadores estão ali porque não tem estudo. De fato, podem até não ter, mas no final do mês, se a gente for perceber, a renda deles é tão igual, muitas vezes superior, a de quem tegraduação. Querendo ou não,isto é uma particularidade”, analisou.
Por atender as necessidades de vendedores, consumidores e comerciantes, o Veropa, como também é chamada a feira livre, consegue se autorregular diariamente. “Um exemplo disto são as erveiras, que às vezes compram de mateiros e depois vendem para o consumidor direto e até para comerciantes”, observou.




Quanto ao artesanato vendido na feira do Ver-o-Peso, poucos são para consumidores. “Os produtos artesanais são vendidos para outros artesãos, que revendem o que encontram ao recorrer ao Ver-o-Peso para ter matéria-prima”, comentou Leitão.
Neste cenário de autorregulação, relações socioeconômicas de hábitos e culturas, Wilma Leitão chama atenção entre os personagens que circulam diariamente pela feira do Ver-o-Peso. Um deles é o carregador, figura que, para a antropóloga, é conhecedora de técnicas e que transita por entre os mais diversos atores sociais.

“O carregador tem um papel fundamental para o abastecimento das barracas, além disso, serve aos consumidores. São trabalhadores que exercem um cargo de confiança tanto do peixeiro quanto do consumidor”, ressaltou. 



Outro personagem é o feirantes, cuja paixão pelo local de trabalho se destaca.
“É comum a gente encontrar feirantes que dizem que o Ver-o-Peso é a vida deles. Com o que ganham lá, sustentam os filhos. Aprenderam com os pais a trabalhar na feira e hoje ensinam os filhos”, comprovou Wilma.
Outro personagem é a pessoa que vai regularmente à feira, e que ajuda aquele espaço a se renovar dia e noite.


Uma aparente calmaria invade o Ver-o-Peso à noite. O mercado de peixe e as barracas da feira fecham. O movimento fica por conta das vendas de bebidas e comida na beira da Baía do Guajará, onde até turistas se arriscam em perigosas incursões noturnas. A maioria dos feirantes volta para o descanso das suas casas. A jornada pesada de trabalho começou às 3h da manhã e se estendeu até à noite.
Muitos dormem por ali mesmo, nas próprias barracas. Fazem do mercado um lar. Carregadores se ajeitam nos próprios carros de mão que usam para trabalhar. Marítimos jogam conversa fora e tomam cachaça. Passam o tempo enquanto aguardam a hora de desembarcar o peixe.
São duas da manhã e as mercadorias chegam em grande número para os feirantes e revendedores do Ver-o-Peso. Em frente ao Solar da Beira, vários carros descarregam sacos de frutas, legumes e verduras, carregados incessantemente por homens. Um surge com um tabuleiro onde estão à venda canetas, fósforos, tesouras, alicates e lanternas. “Tenho tudo que é de primeira utilidade, a caneta pro comerciante anotar, a lanterna pra focar o peixe”, diz Rômulo Souza, que há 15 anos sustenta as filhas como ambulante.


Na esquina da Boulevard Castilhos França com a avenida Portugal, dezenas de barcos se amontoam. “Isso aqui é um ‘rebuceteio’ de gente. Bandido e pai de família lutando. Tem uma magia”, filosofa seu Sena, em meio a anúncios de carne acebolada e correio sentimental disparados da sua ‘moto-som’. Na Pedra do Peixe, o ritmo é frenético: um caixote carregado de maparás pode nocautear os mais desatentos.
Doses de R$ 0,50 a R$ 10 de cachaça e conhaque são oferecidas para dar aquela aquecida. O vento é frio e o cheiro de pescado fresco se mistura aos temperos. Também atiça o olfato o café compartilhado por vários. Seu Zezé, “no mar” há 30 anos, diz que ali chega e ali finda. “Aprendi a vida aqui nessa beirada”, entrega. E é na beirada que não dá pra enxergar a água da baía: é grande quantidade de lixo e pele de peixe jogada pelos peixeiros.
Cachorros lambem as verduras. Os comerciantes que aproveitam para ‘fazer a feira’ não parecem se importar. Na Praça do Relógio, encarregados dos caminhões que transportam para outros mercados se unem aos feirantes para jogar cartas. Na Feira do Açaí, o tecnobrega soa. Rasas (espécie de cestas) são jogadas para os que trazem açaí nos barcos.
“Se tiver com massa tá bom, se tiver só casca não presta. Esse açaí é de Macapá, na verdade, da parte da Ilha do Marajó que fica mais longe e é melhor que o pouco açaí de inverno daqui”, ensinou o freguês Estevão Nascimento. Adiante, homens dormem em pedaços de papelão espalhados pelo chão. O manto da noite vai dando vez aos primeiros reflexos da manhã.
É hora de comer a “pata da vaca”, sopa revigorante oferecida com entusiasmo pelo comerciante Paulo Santiago. Os sinos da Catedral da Sé anunciam as seis da manhã e os ônibus já circulam intensamente pelas ruas. Agora são as barracas de comida que saciam a fome dos que passam e vivem naquele lugar onde pulsa o coração de Belém. (Diário do Pará)

Fonte: O Liberal

Orgulho de Ser Paraense

Ato alerta para a comercialização de animais na Praça da República

ONGs de proteção de animais organizam uma grande manifestação, na manhã deste domingo (27), na Praça da República, em protesto contra o comércio ilegal de animais. O objetivo é, não só combater essa prática, mas incentivar a adoção de animais.
A comercialização de qualquer animal em lugares públicos é ilegal, de acordo com a Lei Municipal nº8413, criada em 5 de março de 2005. Apesar disso, essa prática, principalmente da venda de cachorros é muito comum, na Praça da República.
Cães e gatos ficam expostos a sol e chuva por horas, aos domingos, o que provoca doenças e até mesmo a morte. Seguindo esse pensamento, a ONG VEM (Vegetarianos em Movimento) em conjunto com a Asdepa (Associação de Defesa e Proteção aos Animais) tem um trabalho de conscientização da população, orientando os visitantes da Praça da República a não comprarem esses animais e incentivando a adoção dos que estão recolhidos nos abrigos, nas feiras promovidas pelas associações regularizadas.
De acordo com uma das ativistas da VEM, Karla Ataíde, não existe critério de venda do animal, o importante é que ele seja vendido. 'Eles colocam a venda animais que acabam de nascer, nem mesmo tem dentes, que precisam da mãe. O resultado é que a pessoa vem, compra o animal, que não sobrevive por muito tempo', lamenta a ativista.
As duas ONGs já entram em contato com o Ministério Público e delegacias responsáveis por esse tipo de crime. Entretanto, ainda não há uma fiscalização rígida nestes locais. 'Conseguimos junto com Ministério Público que alguns policiais investigassem a praça, mas até agora não surgiu efeito', afirma Karla.
 
Redação Portal ORM

* Já não era sem tempo as entidades responsáveis abrirem os olhos e passar a tomar uma atitude em relação a isso que ocorre a muitos anos neste local.
Nosso Pará em Foco
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